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.......... Olegário José de Godoy (o Sorocabinha), filho de José Antônio de Godoy (Juca Sorocaba) e de dona Rita Francisca Vieira (natural de Piracicaba), nasceu a 3 de janeiro de 1895, no bairro de “Dois Córregos”, uma légua distante da cidade de Piracicaba.
            O seu pai, como próprio apelido diz, era natural de Sorocaba, mudando-se ainda moço para Piracicaba, sua terra adotiva, casando, inclusive, com uma Piracicabana. Violeiro dos bons. O filho não negou a cria. A propósito, disse-nos, em seu depoimento em 06 de maio de 1984.
            “Meu pai vaio para Piracicaba ainda ainda muito novo, rapaz solteiro. Ele gostava de cantar e tocar viola. Naquela época, faziam “Festa de Santa Cruz” e esta era durante 40 dias. Meu pai não perdia uma siquer. Quando tive conhecimento de mim, já tocava viola. Com dez anos, eu já dançava o “catira”, tocava e cantava. Nós éramos chamados para tocar e cantar nas festas”.
            “Para responder as perguntas com precisão foi precisando lembrar-se de antigos violeiros de há quase cem anos atrás. Havia em piracicaba um homem que se chamava Benedito Ortiz de Camargo, que tinha diversos apelidos entre os quais: Nitinho Pintor, Nitinho Violeiro (pois era ponteador de


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viola, exímio, além de na época ser considerado lá em Piracicaba o Rei dos Cantadores). Trazia consigo uma medalha prata, embutida em uma violinha de ouro, troféu este que ganhou no Centenário da fundação de Piracicaba. Este troféu ele ostentava com muito orgulho, pois a violinha de ouro ganhou por ser como disse, considerado o “rei dos violeiros”, e a medalha de prata por ter salvo uma moça que não fosse ele, teria perecido afogada no rio”.
            “Pois bem; este homem fazia dupla com o meu pai, José Sorocaba. Foi com Nitinho Pintor que aprendi a tocar viola e também foi ele que me apresentou ao Cornélio Pires em 1924. Dentre as músicas que compôs, uma delas era a preferida de Cornélio Pires: “Mecê dis que vai casá”. Infelizmente, Nitinho Pintor, ou Benedito Ortiz de Camargo, já não pôde participar da “Turma Caipira Cornélio Pires”, pois faleceu em 1926; mas a sua música foi gravada em 1929, por mim e pelo Zico Dias”.
            Em 17 de fevereiro de 1917, com 21 anos, casou com dona Maria Benedita Siqueira, que contava com 20 anos de idade. Diz que a dupla “Mariano e Caçula” eram ainda meninos e foram cantar no seu casamento.

            Conheceu Cornélio Pires em 1924, quando foi à capital paulista, juntamente com Nitinho Pintor, contratados pelo Cornélio Pires para cantarem em dupla, no Cine da Praça da República. Cornélio perguntou o nome do seu pai:
            - José Sorocaba.
            Virou-se e disse:
            - Ele é o Sorocaba e tu és o “Sorocabinha”. De hoje em diante, será esse o seu nome artístico”.
            Com dez anos, já dançava o Cateretê (catira ou bate-pé). Dançavam nas casas dos caipiras da redondeza. Era uma dança de terreiro. A dança era do interior, depois vaio para a cidade. A polícia fazia “batida”. Ordenava que cantassem sentados. Aos poucos foi mudando a situação.
            O Samba Paulista, também era dançado no terreiro. O pessoal se reunia, matava um capado... e amanhecia dançando... Eram ocasiões de aniversários, Festa de São João, de São Pedro, de Santo Antônio... havia outros gêneros. Um exemplo era o Vilão de Faca. A viola era tocada por um bom violeiro. O pessoal dançava, acompanhando o ritmo da viola, batendo a colher uma com a outra. Ora por baixo das pernas ora por cima. Assim era até parar o som da viola.
            A “dança de carregar virado” era assim: o violeiro tocador, ficava no meio da roda que se formava em volta dele. Eram colocados cinco bancos ou cadeiras. Dos que rodeavam o violeiro, um carregava o virado. Iam dançando, até que repentinamente a viola parava de tocar. Todos corriam sentar-se e sempre sobrava um sem ter seu lugar para sentar-se. Este teria que carregar o virado. Na sala, então havia muitas risadas e aplausos.
            Haviam também as “rezas de guardar defunto”, que eram cantigas que os antigos cantavam nas noites em que guardavam defuntos.
            No dia 10 de julho morreu Olegário José de Godoy, o Sorocabinha. Ele tinha 100 anos de idade e morava com a filha no bairro Pinheiros.
            Faleceu ao sofrer o sétimo ataque de pneumonia. O seu pulmão já estava muito comprometido, por isso não resistiu mais.
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