


Reis do Cururu Sorocabano”, os cantores Rubens Ribeiro, Carlos Caetano, Cido Garoto e Dito Carrara são acompanhados pelo acordeonista Guazzeli. Mas é a viola quem dita o ritmo da cantoria e há um discurso recorrente entre violeiros e cantadores, dando conta de que o acompanhante de cururu precisa possuir habilidades especiais. Dizem que mesmo o grande Tião Carreiro, apreciador de cururu, não conseguia acompanhar bem os cantadores. Em seu livro “Cururu: retratos de uma tradição”, Cido Garoto, com autoridade de quem foi violeiro antes de ser cantador, explica as habilidades que o acompanhante de cururu deve ter: |
De fato, a viola é o instrumento base da cantoria, embora não seja o único. Antigamente, era muito comum o uso do reco-reco ou reque-reque feito de bambu e também do adufe, irmão mais velho do conhecido pandeiro. |
O cururu não é como uma música sertaneja, com um mesmo ritmo do iício ao fim. Por ser um repente, o cantador de cururu às vezes se enrosca, engole um tempo ou meio do compasso, pronuncia uma palavra muito comprida, perde a matemática e atravessa o ritmo. |
Além de bom acompanhador, o violeiro precisa ser discreto. Afinal, é o cururueiro quem deve brilhar na cantoria. O violeiro também pode ajudar fazendo o baixão e ajudando na segunda voz, nos moldes de que fazia o “segunda” do cururu antigo. |
Assim como ocorre com os cantores, a maioria dos violeiros atribui sues dotes como músicos ao auto-aprendizado e a um dom divino. O discurso de que o talento para tocar viola está no sangue também surge com freqüência. |