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Por Sérgio Santa Rosa

 


 

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Reis do Cururu Sorocabano”, os cantores Rubens
Ribeiro, Carlos Caetano, Cido Garoto e Dito Carrara são acompanhados pelo acordeonista Guazzeli.
        Mas é a viola quem dita o ritmo da cantoria e há um discurso recorrente entre violeiros e cantadores, dando conta de que o acompanhante de cururu precisa possuir habilidades especiais. Dizem que mesmo o grande Tião Carreiro, apreciador de cururu, não conseguia acompanhar bem os cantadores.
        Em seu livro “Cururu: retratos de uma tradição”, Cido Garoto, com autoridade de quem foi violeiro antes de ser cantador, explica as habilidades que o acompanhante de cururu deve ter:

         De fato, a viola é o instrumento base da cantoria, embora não seja o único. Antigamente, era muito comum o uso do reco-reco ou reque-reque feito de bambu e também do adufe, irmão mais velho do conhecido pandeiro.
        Hoje em dia, como a maioria das cantorias é realizada com o auxílio de aparelhagem de som, a viola reina quase exclusiva, às vezes acompanhada de ciolão. Nas apresentações ao vivo os instrumentos de percussão são menos utilizados do que em outros tempos, porém, nas gravações em estúdio o uso do pandeiro é constante. Ocasionalmente, há contra-baixo e violões. No cd “Os

            O cururu não é como uma música sertaneja, com um mesmo ritmo do iício ao fim. Por ser um repente, o cantador de cururu às vezes se enrosca, engole um tempo ou meio do compasso, pronuncia uma palavra muito comprida, perde a matemática e atravessa o ritmo.
            O violeiro prático em cururu sabe de tudo isso e fica atento. Se acontecer, ele dá um repique no ritmo, podendo assim adiantar ou segurar o compasso. A platéia nem percebe.

Além de bom acompanhador, o violeiro precisa ser discreto. Afinal, é o cururueiro quem deve brilhar na cantoria. O violeiro também pode ajudar fazendo o baixão e ajudando na segunda voz, nos moldes de que fazia o “segunda” do cururu antigo.
         Afinada normalmente em cebolão, a viola pode ser tocada de maneira simplesmente “batida” ou cheia de floreios e ponteados. Dizem que, no cururu antigo, a viola simplesmente acompanhava o ritmo da toada executada pelo cantador. Esse estilo de acompanhamento ainda é utilizado, mas hoje muitos violeiros gostam de tocar num estilo um pouco mais trabalhado, que mistura ponteios e preparações, além de manter o ritmo da toada.     

           Assim como ocorre com os cantores, a maioria dos violeiros atribui sues dotes como músicos ao auto-aprendizado e a um dom divino. O discurso de que o talento para tocar viola está no sangue também surge com freqüência.
         Muitos cantadores respeitados começaram como violeiros e daí migraram para a frente do palco. Jonata Neto foi violeiro de Luizinho Rosa, Sílvio Pais tocou para João Davi e Cido Garoto para Sílvio Pais e Dito Carrara. Até mesmo Manezinho Moreira, tido como o maior violeiro do período de mais sucesso do cururu piracicabano, acabou assumindo a posição de canturião.

Sérgio Santa Rosa é jornalista e autor do livro “Prosa de Cantador”, à venda pelo site www.abacateiro.com